segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bem comum X Individualismo


O programa em que trabalho beneficia três bairros com obras de saneamento, drenagem, pavimentação e arborização. Paralelo a isso existe um trabalho social com a comunidade que promove preparação e a conscientização dessa população que recebe tais benefícios, almejando posteriormente a sustentabilidade dos mesmos. Durante esses seis meses em que estou trabalhando com essas comunidades tenho aprendido algumas coisas através dos erros e acertos diários de algumas atividades. Buscamos sempre uma mudança de hábitos nessas comunidades, para que as pessoas enxerguem a importância do bem comum, valorizando o bem coletivo em seus bairros. Assim a proposta das atividades no início, era entender que o meio ambiente é tudo o que está ao meu redor, no bairro, na rua onde moro e tudo aquilo que está dentro de mim, dentro da minha casa, na minha família. As atitudes diárias e rotineiras terão um novo sentido a partir de então, atos individuais que refletem no coletivo, como por exemplo, jogar lixo na rua que deixa a aparência do bairro péssima e conseqüentemente entope bueiros, provocando transtornos coletivos. Sei que ninguém muda seus hábitos assim da noite para o dia, esse trabalho exige paciência e muita, muita persistência. É como cruzar os braços ao contrário invertendo a posição de costume, no início é incomodo e desajeitado, mas depois nos acostumamos com a situação. O que buscamos nessas comunidades é o amadurecimento de um grupo de referencia tornando-os atores sociais e multiplicadores do valor daquele “bem comum”. E mais uma vez, é nítida a diferença entre dois bairros atendidos...

Os dois são caracterizados por assentamentos, onde um grupo conseguiu da prefeitura o terreno para a concretização do bairro e as casas construídas através de mutirão com todo o material de construção financiado pela Caixa Econômica Federal. Assim a diferença entre eles é que no bairro Novo Horizonte uma minoria que continua lá participou desse processo de conquista, luta e muito suor para receber enfim a casa própria. E nessa minoria há uma meia dúzia que acredita na mudança de hábitos, que veste a camisa, que enxerga o valor coletivo e busca a cada dia melhorar o bairro onde mora. O resto não está nem aí para o que acontece da sua porta pra fora, não quer saber, não se interessa e mais, adora criticar atitudes e ações promovidas para o bem comum. É muito difícil, eu diria até desanimador em certos momentos. Já no bairro Conquista, como o próprio nome já diz, a maioria participou de todo esse processo de conquista. Eles valorizam o lugar onde moram, querem o melhor a cada dia, lutam, brigam por seus direitos e fiscalizam os vizinhos que não estão nem aí. É muito interessante! Há um grupo de referencia já consolidado e atuante, lá o meu trabalho é de informação e treinamento desse grupo diante das questões sanitárias e ambientais, o resto, o dever de casa, eles fazem. São exigentes com a equipe social, mas podem ser pois realizam e concretizam as ações de sustentabilidade.

Por isso, hoje eu acredito naquela estória do valor do bem conquistado com muito suor. Se ganharmos um carro, não temos tanto apreço por esse bem e como se diz: ”não temos dó” em danificá-lo. Agora, se o carro foi pago com muita dificuldade, por meses e meses a fio, fruto de muito trabalho e de um orçamento apertado será o carro mais conservado, limpo e bem cuidado. Assim acontece nesses dois bairros, um é o Conquista e o outro é o Novo Horizonte, horizonte esse que continua muito distante do novo... Distante do valor da conquista comum e preso ao individualismo e egoísmo diante de uma comunidade.

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